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ENEM e vestibulares

Redação do ENEM: como a nota é dada, competência por competência

É a única parte da prova em que o critério de correção é publicado antes. Saber como os pontos são distribuídos muda o que vale a pena treinar.

7 min de leituraAtualizado em 17 de agosto de 2026

A redação costuma ser tratada em casa como a parte imprevisível da prova, aquela que depende do humor de quem corrige. É o contrário. Ela é a única parte do ENEM em que a banca publica, de graça e antes da prova, exatamente o que vai avaliar e como vai pontuar. O material se chama Cartilha do Participante e sai todo ano.

Quem lê esse documento para de tentar escrever bonito e passa a escrever para uma grade. É por isso que a redação é, quase sempre, a nota que sobe mais rápido no ano do vestibular.

Como a nota de 1000 é montada

Cada redação é corrigida por dois avaliadores, e cada um atribui de 0 a 200 pontos em cada uma das cinco competências. A soma das cinco compõe a nota daquele avaliador, que pode chegar a 1000 pontos.

Repare no que esse desenho quer dizer na prática: as cinco competências valem o mesmo. Gramática impecável não compensa uma conclusão fraca, porque cada uma é uma caixa separada de até 200 pontos. O aluno que escreve muito bem e esquece um pedaço da proposta de intervenção perde mais do que o que escreve razoável e cumpre a estrutura inteira.

CompetênciaO que ela cobra, em português claro
1Escrever na norma formal: concordância, pontuação, ortografia.
2Entender a proposta, ficar no tema e escrever no formato dissertativo-argumentativo, não em narrativa nem em desabafo.
3Escolher argumentos, organizá-los e defender um ponto de vista, em vez de listar informações soltas.
4Amarrar o texto: conectivos, referências, a ligação de um parágrafo com o seguinte.
5Propor uma intervenção para o problema, respeitando os direitos humanos.

O que realmente faz a nota subir

Escrever muito não é treinar. O que move a nota é o ciclo completo: escrever, receber a correção apontando em qual competência o ponto caiu, e reescrever o mesmo texto corrigindo aquilo. Uma redação escrita, corrigida e reescrita ensina mais que cinco redações escritas e guardadas.

É também por isso que a correção genérica não ajuda: um texto que volta com bom, mas melhore a argumentação não diz em qual das cinco caixas o ponto se perdeu, e o aluno repete o mesmo erro na semana seguinte sem perceber.

O repertório entra na mesma lógica. Vale mais o aluno dominar poucas referências que consiga usar bem, e que conversem com o argumento, do que decorar uma lista de citações para encaixar à força em qualquer tema.

O que dá para fazer esta semana, sem contratar ninguém

  1. Baixar a cartilha e ler as redações comentadasO material do INEP traz textos que tiraram nota alta com o comentário do avaliador ao lado, competência por competência. É a forma mais barata de entender o que a banca considera suficiente.
  2. Escrever uma redação cronometradaCom o tempo real da prova e à mão, no papel. O aluno que só treina digitando descobre no dia que escreve mais devagar do que imaginava.
  3. Corrigir olhando as cinco caixas, uma por vezEm vez de dar uma nota geral, pergunte onde este texto perde ponto na competência 5. A resposta costuma ser objetiva, e é ela que vira a próxima reescrita.

Onde conferir

Regras, datas e vagas mudam a cada edital. Antes de decidir qualquer coisa, confirme na fonte oficial:

ContinuarComo funciona a aula particular de redaçãoO ciclo de escrever, corrigir e reescrever com um professor acompanhando, e o ajuste para o formato de cada prova.
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